08 de Maio, 2026 15h05mInternacional por Rádio Agência Nacional

Conversa entre Lula e Trump pode acabar com impasse tarifário

Os próximos 30 dias de debates entre Brasil e Estados Unidos sobre comércio podem trazer resultados positivos em relação aos impasses tarifários. Esta é a avaliação de especialistas ouvidos pela nossa reportagem. Um deles é o professor de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luiz Carlos Prado. Para ele, é difícil antecipar o que vai ficar decidido nas negociações, devido a imprevisibilidade da política externa estadunidense

Os próximos 30 dias de debates entre Brasil e Estados Unidos sobre comércio podem trazer resultados positivos em relação aos impasses tarifários. Esta é a avaliação de especialistas ouvidos pela nossa reportagem.

Um deles é o professor de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luiz Carlos Prado. Para ele, é difícil antecipar o que vai ficar decidido nas negociações, devido a imprevisibilidade da política externa estadunidense. No entanto, com o balanço do encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump, o resultado pode ser razoável.

"Não há nenhum tipo de política brasileira que possa afetar negativamente os interesses americanos, pelo contrário, nas relações bilaterais dos Estados Unidos tem superávit, elas são favoráveis aos Estados Unidos e não ao Brasil. De qualquer maneira, a procura de algum tipo de acordo vai ser facilitada pelo fato das comunidades empresariais no Brasil nos Estados Unidos, estarem forçando ou fazendo pressão para que chegue a um bom resultado."

O professor da UFRJ considera um sucesso diplomático do governo o fato de os dois países criarem a agenda de negociações, como fruto de uma “política muito bem construída”, tendo em vista as relações bilaterais de Trump com parceiros.

O professor de Economia da Universidade de Brasília, Cesar Bergo, também cita o superávit no comércio dos Estados Unidos com o Brasil; e acredita que as negociações nos próximos dias podem gerar efeitos positivos, com “um importante parceiro comercial” brasileiro.

"Ficou claro, em função das próprias colocações feitas pelo presidente Lula, de que houve uma discordância. No caso brasileiro, há uma desvantagem no comércio exterior, né? O Brasil tem um déficit, mas isso parece que não foi tão bem aceito lá pela parte americana e foi então dada uma perspectiva de uma reunião e pode realmente ter um bom efeito. Eu vejo de forma positiva o estabelecimento de uma trégua, não quer dizer que o Brasil vai ganhar todas, mas já dá uma perspectiva positiva para essa negociação e evitar realmente as retaliações por parte dos Estados Unidos".

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No ano passado, os Estados Unidos anunciaram o início de investigação sobre práticas comerciais do Brasil, avaliadas como “injustas” pelo país norte-americano. A apuração leva em conta a seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Entre as acusações, está a de que o Brasil cobra altas tarifas sobre o metanol que importa daquele país. O professor Cesar Bergo considera que, durante os próximos 30 dias, o Brasil pode ter que avaliar as tarifas de alguns produtos.  

"Existe algum produto ou outro, é o caso do metanol. O Brasil vai ter que mostrar também as suas razões pelas quais existem as tarifas, né, comerciais. Tem a questão do açúcar também, ou seja, são vários produtos que poderiam ser afetados caso haja uma retaliação por parte americana, da sessão 301".

Lula e Trump se reuniram por três horas nessa quinta-feira (7), em Washington, onde discutiram, além das tarifas comerciais, assuntos como vistos de cidadãos, terras raras e combate ao crime organizado e ao narcotráfico.

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