12 de Junho, 2026 20h06mMeio Ambiente por Rádio Agência Nacional

Saúde dos mares piora, desregula o clima e ameaça a costa brasileira

A Terceira Avaliação Global dos Oceanos, divulgada recentemente pelas Nações Unidas (ONU), traz um alerta grave. A saúde dos mares está piorando rapidamente, com impactos diretos na economia e na segurança do Brasil. O pesquisador marinho Ronaldo Christofoletti é um dos autores do relatório. Em entrevista à ONU News, ele destacou o degelo na Antártica e os impactos para o Brasil. "Os últimos quatro anos são recordes de degelo na Antártica

A Terceira Avaliação Global dos Oceanos, divulgada recentemente pelas Nações Unidas (ONU), traz um alerta grave. A saúde dos mares está piorando rapidamente, com impactos diretos na economia e na segurança do Brasil.

O pesquisador marinho Ronaldo Christofoletti é um dos autores do relatório. Em entrevista à ONU News, ele destacou o degelo na Antártica e os impactos para o Brasil.

"Os últimos quatro anos são recordes de degelo na Antártica. Isso influencia drasticamente toda a sociedade brasileira, porque a gente está falando de mais água no oceano e uma desregulação da relação do oceano com a atmosfera, que faz alterar as frentes frias. A frente fria regula o clima no Brasil, regula o agronegócio, regula o ciclo de chuva".

Segundo o relatório, por causa do degelo dos polos, a taxa de elevação do nível do mar aumentou mais de 50% nos últimos 4 anos, chegando a 4,3 milímetros por ano.

Esse fenômeno ameaça os mais de 8 mil quilômetros da costa brasileira e suas capitais. Algumas regiões já vivenciam uma erosão costeira, segundo Christofoletti.

Outro ponto importante: a relação entre a umidade da Amazônia e as frentes frias vindas da Antártica está sendo alterada por causa desse degelo.

De acordo com pesquisador, a mudança potencializa desastres climáticos, como os vistos recentemente no Rio Grande do Sul e na região Sudeste.

O estudo destaca ainda que, nos últimos 4 anos, triplicou o número de espécies animais marinhas com microplásticos dentro do corpo.

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Além disso, 56 substâncias farmacêuticas foram detectadas no oceano, seja pelo descarte inadequado, seja pela excreção na urina das pessoas na rede de esgoto. Ronaldo Christofoletti avalia a situação.

"A gente passa a um impacto de poluição por esgoto, por fármaco, por plástico, que está afetando todo o ambiente. E isso conecta com o oceano que regula o clima. Porque quando ele está poluído por todas essas fontes de recursos, é como se ele tivesse intoxicado. Um oceano que não está bem, ele não está com saúde para regular o clima".

O relatório destaca que o investimento em ciência é vital para que o Brasil e o mundo possam enfrentar a crise climática e garantir a segurança alimentar.

O pesquisador lembra que o fundo do mar, que é menos conhecido que a superfície da Lua, pode ser o tema de parte desses estudos.

Christofoletti ressalta que, nas profundezas dos oceanos, pode haver matéria-prima para novos remédios, além de minerais raros para novas tecnologias. E a exploração só pode ser sustentável a partir do conhecimento científico desse potencial.

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