09 de Junho, 2026 08h06mMeio Ambiente por Rádio Agência Nacional

Pesquisadores descobrem nova espécie de marsupial exclusiva do RJ

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descreveram uma nova espécie de marsupial exclusiva da Baixada Litorânea e do Litoral Norte fluminense: a cuíca-de-três-listras-do-Rio de Janeiro. A pesquisa foi publicada na revista internacional Journal of Mammalogy, ligada à universidade de Oxford, no Reino Unido. A nova espécie foi encontrada em um dos últimos fragmentos de Mata Atlântica em Cabiúnas, no município de Macaé, ao Norte Fluminense

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descreveram uma nova espécie de marsupial exclusiva da Baixada Litorânea e do Litoral Norte fluminense: a cuíca-de-três-listras-do-Rio de Janeiro. A pesquisa foi publicada na revista internacional Journal of Mammalogy, ligada à universidade de Oxford, no Reino Unido.

A nova espécie foi encontrada em um dos últimos fragmentos de Mata Atlântica em Cabiúnas, no município de Macaé, ao Norte Fluminense. O professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e Conservação da UFRJ, orientador do estudo, Pablo Gonçalves, explica a cronologia da descoberta...

"A gente fez um trabalho lá em 2010, 2011 e a gente detectou os primeiros exemplares. E a gente na época não achava nada de especial, né? Existem outras cuícas-de-três-listras, outras espécies já descritas há mais tempo. A gente achava que esses exemplares pertenciam a alguma espécie já conhecida, já bem estudada. Foram os estudos genéticos que apontaram esse bicho de Cabiúnas como bem diferente do resto das cuícas-de-três-listras da Mata Atlântica do sudeste".

Além das características genéticas, o marsupial, que pesa algumas dezenas de gramas e se alimenta principalmente de insetos, possui um padrão de listras diferente. Segundo os pesquisadores, a listra preta do meio das suas costas é mais curta e desaparece antes de chegar ao focinho.

Outras nuances, como o formato do crânio e a dentição, também foram determinantes para descrição da nova espécie.

Segundo as análises, foi constatado que este marsupial surgiu há 1,78 milhão de anos, durante o período Pleistoceno. Para o professor, a espécie esteve escondida da ciência durante todo esse tempo por conta da falta de estudos em determinadas localidades…

"Esses estudos, a maioria deles estão restritos as regiões dos Parques Nacionais, a Serra dos Órgãos, Parque Nacional de Itatiaia. Então assim, regiões mais distantes da capital ainda são relativamente remotas, especialmente em termos de estudos como esse zoológicos, taxonômicos. O que é verdade para boa parte do Brasil, né? Várias regiões do Brasil muito pouco estudadas e que basta a gente investir em ciência nesses lugares, que novas espécies aparecerão".

A equipe de pesquisa também foi composta por duas egressas do mestrado do PPG-CiAC/UFRJ, Isabelle Chagas Vilela Borges e Carina Azevedo Oliveira Silva. Segundo as cientistas, o tempo de origem desta cuíca coincide com a de outros mamíferos, como o mico-leão-dourado e a preguiça-de-coleira-do-Sudeste, o que reforça a ideia de que o local funcionou como um tipo de “berçário” evolutivo único.

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No entanto, o estudo também acende um alerta para a necessidade de conservação da espécie, já que ela ainda não foi registrada em unidades de conservação de proteção integral. A mata onde ela reside está próxima a grandes empreendimentos industriais, como o Terminal Cabiúnas de Óleo e Gás, e rodovias de fluxo intenso, como a BR 101.

Segundo Pablo Gonçalves, áreas de Baixada da Mata da Atlântica, como a de Cabiúnas, são os locais mais desmatados. Daí vem a necessidade de implementar medidas de parceria entre os setores público e privado… 

"Proposta seria a gente investir na criação de reservas particulares do patrimônio natural, as chamadas RPPNs, né? Que nada impede que os proprietários continuem tendo a sua alternativa de produção econômica, mas respeitando as áreas de floresta e tentando fazer intervenções para que conectem essas áreas de floresta com outras áreas vizinhas, com outros fragmentos vizinhos. A conectividade entre os fragmentos também é muito importante".

O professor lembrou, ainda, que as RPPNs podem abrir oportunidades econômicas vantajosas, como o ecoturismo.

*Sob supervisão de Fábio Cardoso

3:47

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