20 de Maio, 2026 14h05mMeio Ambiente por Rádio Agência Nacional

Justiça manda demolir muro de 570 metros no Pontal de Maracaípe (PE)

Uma disputa ambiental que se arrasta há anos pode ter chegado ao capítulo final esta semana. A Justiça Federal em Pernambuco determinou a demolição completa do muro construído entre o Pontal da Praia de Maracaípe, em Ipojuca, e um terreno privado, no litoral sul do estado. Ainda cabe recurso da decisão. A estrutura, erguida em 2022 com a justificativa de conter a erosão marítima, tem cerca de 570 metros de extensão e foi feita com troncos de coqueiro

Uma disputa ambiental que se arrasta há anos pode ter chegado ao capítulo final esta semana. A Justiça Federal em Pernambuco determinou a demolição completa do muro construído entre o Pontal da Praia de Maracaípe, em Ipojuca, e um terreno privado, no litoral sul do estado. Ainda cabe recurso da decisão. 

A estrutura, erguida em 2022 com a justificativa de conter a erosão marítima, tem cerca de 570 metros de extensão e foi feita com troncos de coqueiro.

A decisão da 35ª Vara Federal de Pernambuco atende a um pedido da Advocacia-Geral da União, que aponta que o muro restringe a circulação das pessoas, dificulta o acesso ao manguezal e prejudica a desova de tartarugas marinhas na região.

Segundo a Justiça, o proprietário do terreno tem até o fim deste mês para demolir toda a estrutura e dar destinação ambiental adequada aos resíduos. Caso o prazo não seja cumprido, o Ibama e a Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco poderão fazer a remoção diretamente, com cobrança posterior dos custos.

O muro separa a praia de um resort e chegou a ser autorizado, há 4 anos, pela própria Agência Estadual de Meio Ambiente, com base na alegação de erosão marinha no estuário do Rio Maracaípe. Mas uma vistoria do Ibama descartou a erosão e apontou graves danos ambientais causados pela construção.

Em 2023, o próprio órgão estadual cancelou a autorização, alegando que a obra ultrapassava em mais de 50% o tamanho permitido. A estrutura chegou a ser demolida, mas foi reconstruída no mesmo dia, após decisão da Justiça estadual favorável ao proprietário.

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Em 2024, o Ministério Público Federal entrou com ação civil pública contra o responsável pelo terreno, representando a União, o Ibama e a agência ambiental pernambucana. Durante o processo, uma perícia judicial apontou várias irregularidades. Entre elas, o fato de a barreira ter sido construída em área de praia, sobre terreno da Marinha, pertencente à União, e totalmente inserida em área de preservação ambiental, com rio, restinga e manguezal.

Segundo o Ibama, 136 metros da área bloqueada correspondem a local de desova de tartarugas marinhas. O órgão também alerta que os troncos foram fixados com sacos de ráfia cheios de areia, o que provoca liberação gradual de fragmentos plásticos, com risco de asfixia, emaranhamento e bloqueio intestinal para tartarugas e outros animais, além de prejuízos às raízes dos manguezais.

Além destas constatações, o Ministério Público Federal e o Ministério Público de Pernambuco também apontam omissões no estudo e no relatório de impacto ambiental do empreendimento imobiliário, principalmente em relação aos cavalos-marinhos e a outras espécies da fauna local.

Os órgãos afirmam ainda que a área prevista para o resort não poderia ser considerada livre de reprodução regular de tartarugas marinhas e defendem a realização de consultas às comunidades tradicionais da região.

* Com produção de Luciene Cruz. 3:23

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