03 de Junho, 2026 14h06mInternacional por Agência Brasil

Cuba rebate EUA: empresas cubanas foram construídas contra bloqueio

O governo de Havana rebateu as acusações recentes dos Estados Unidos (EUA) de que os dirigentes da ilha usam as empresas estatais para enriquecer

O governo de Havana rebateu as acusações recentes dos Estados Unidos (EUA) de que os dirigentes da ilha usam as empresas estatais para enriquecer. Em nota, Cuba afirma que o modelo do Grupo de Administração de Empresas (Gaesa) foi construído para enfrentar a guerra econômica movida por Washington contra a ilha. 

“Seu objetivo sempre foi reunir empresas com capacidade de gerar divisas e recursos que o Estado necessita para manter e desenvolver as conquistas sociais e contribuir para a promoção de setores e ramos da vida nacional”, diz comunicado publicado nessa terça-feira (2). 

“A Gaesa não é uma estrutura opaca, nem paralela ao Estado cubano; pelo contrário, tem sido uma resposta articulada e de comprovada eficácia contra o bloqueio econômico que historicamente tentou sufocar a Revolução Cubana”, diz o comunicado oficial.

Havana condena as acusações dos EUA, que teriam o objetivo de “confundir tanto o nosso povo quanto a opinião pública internacional”. Ainda segundo o governo liderado por Miguel Diaz-Canel, a nova investida contra a Gaesa busca afastar atores estrangeiros que realizam negócios com as empresas do grupo.

“O objetivo deliberado é isolar o país diplomática, comercial, financeira e energeticamente; minar a sustentabilidade da nação; condicionar o diálogo; e considerar opções de agressão militar. Precisam construir e consolidar uma narrativa de descrédito reputacional contra todas as instituições que sustentam o nosso projeto social”, conclui o comunicado.

O governo do presidente Donald Trump tem aumentando a pressão sobre a ilha de quase 11 milhões de habitantes, cortando o acesso ao petróleo e aumentando as sanções contra aqueles que comercializam com Cuba.

Publicidade
Cubanos se reúnem para pegar água em caminhão-pipa em Havana 19/03/2026 REUTERS/Norlys Perez - Reuters/Norlys Perez/Proibida reprodução

No início de maio, após nova Ordem Executiva da Casa Branca, a empresa canadense Sherritt International  abandonou as atividades no país caribenho que mantinha por meio de uma joint venture para mineração de níquel em parceria com a Gaesa. 

A historiadora cubana Caridade Massón Sena, professora visitante na Universidade Federal de Uberlândia (UFB), avaliou que as acusações dos EUA contra a Gaesa são pretextos para derrubar o governo liderado pelo Partido Comunista.

“Eles usam esse pretexto de que os dirigentes da Gaesa roubam Cuba por meio do turismo porque o turismo é um dos setores que mais dinheiro gera no país. E não apresentaram nunca provas disso”, comentou.

Bloqueio econômico

O bloqueio econômico contra Cuba levou a ilha ficar três meses sem receber uma gota de petróleo. As medidas da Casa Branca têm causado aumento dos apagões, a elevação dos preços de produtos básicos, a redução do transporte público e da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado. Para moradores de Havana consultados pela Agência Brasil, esse é o pior momento do país.  

Publicidade

Comentários

Notícias relacionadas

Reforma em Cuba não é capitalismo, mas tentativa de burlar bloqueio

A reforma econômica e do Estado em Cuba, discutida nesta quinta-feira (18) na Assembleia Nacional do país, não é capaz de levar a ilha para uma economia capitalista, sendo mais uma tentativa “de

18 de Junho, 2026

Cuba debate reformas econômica e social em meio ao bloqueio dos EUA

Diante do endurecimento do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos (EUA), o governo de Cuba debate um amplo pacote de reformas com objetivo de ativar a economia da ilha e transformar o atual

17 de Junho, 2026

Filha de Che Guevara vê risco de invasão dos EUA contra Cuba

A médica Aleida Guevara, filha de Che Guevara, um dos líderes da Revolução Cubana, afirma que existe, em Cuba, a sensação de que os Estados Unidos (EUA) podem invadir a ilha a qualquer momento d

15 de Maio, 2026