29 de Maio, 2026 12h05mInternacional por Rádio Agência Nacional

"Classificação de PCC e CV como terroristas é uma espetacularização"

Uma medida populista e que pode ameaçar a soberania nacional e ter impactos nas eleições aqui no Brasil. É assim que especialistas avaliam a decisão do governo de Donald Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A professora especialista em Segurança Pública, Jacqueline Muniz, da Universidade Federal Fluminense, listou pelo menos 13 motivos para condenar essa decisão

Uma medida populista e que pode ameaçar a soberania nacional e ter impactos nas eleições aqui no Brasil. É assim que especialistas avaliam a decisão do governo de Donald Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. 

A professora especialista em Segurança Pública, Jacqueline Muniz, da Universidade Federal Fluminense, listou pelo menos 13 motivos para condenar essa decisão. Entre eles, o temor de que essa classificação seja usada politicamente, sabotando a soberania dos países, a criação de zonas cinzentas para definir os protestos sociais aqui dentro mesmo, a abertura de espaço para arbitrariedades. Ela resumiu: tem poucos resultados efetivos. Segundo ela: muda a etiqueta, sem mudar o conteúdo, as causas do crime. É uma espetacularização.

"Estamos diante de uma medida que fortalece politicamente Trump, amplia o poder de Marco Rubio e produz uma narrativa de firmeza e ação, mas não enfrentam as causas que geram o crime organizado e é mesmo incapaz de fazê-lo recuar ou mesmo desbaratar a economia criminosa".

A medida entra em vigor na sexta-feira da semana que vem, dia 5. E foi tomada com base na seção 219 da Lei de Imigração norte-americana e em uma ordem executiva de Trump. Em comunicado nas redes sociais, o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que o Comando Vermelho e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil.

O anúncio foi feito nessa quinta-feira (28), dois dias depois do encontro do pré-candidato à presidência e senador Flávio Bolsonaro e do irmão dele, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, com Trump lá na Casa Branca, em Washington.

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Só de ter sido assim, já fica a preocupação com relação às eleições. Liga a luz amarela, como disse Carolina Ricardo, do Instituto Sou da Paz.

"Que esse é o tipo de medida populista, né, que parece que vai solucionar o problema. Então, eu acho que tem um risco político, né, de fortalecer uma agenda de um determinado candidato, podendo ter até uma influência nas eleições e também cria uma cortina de fumaça, engana a população, que vai achar que essa é a real solução do problema".

O governo brasileiro ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto, mas lá no Congresso, já tem repercussão. O líder do PT na Câmara mesmo, o Pedro Uczai, disse que essa é uma articulação da extrema direita que atrapalha a proposta do governo de uma cooperação internacional. Proposta que já foi apresentada a Trump quando o  presidente Lula esteve por lá no começo do mês.

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